30 de janeiro de 2009

a tua presença é mais que poética e a tua prosa faz manteiga do meu coração derretido. você me inspira toda essa inspiração e expira todas as minhas mágoas. o teu amor é a droga do meu mais antigo e perigoso vício.
então, meu amor, por que você não volta, se ainda sou dependente química do teu cheiro e você ainda tem as chaves que abrem as portas da minha vida? eu sinto falta de olhar tanto as nossas mãos juntas até não divisar mais qual é a minha e qual é a sua. você sabe onde me encontrar; eu estarei sempre à procura de algum resquício teu embaixo das minhas unhas quebradas ou alguma lembrança tua na minha memória. então venha, mas venha logo, ou eu serei prova de que um amor mal curado pode ser fatal. overdose. overdose de você.

29 de janeiro de 2009

você me tirou tudo o que eu tinha. eu queria gritar até que o meu peito explodisse em verdade, mas você roubou todas as minhas forças, tal como um vampiro que, sedento, suga o sangue de moças ainda virgens. eu queria procurar novos rostos para esquecer o seu, mas os meus pés descalços estão todos calejados de tanto andar à sua procura na infinita estrada das nossas lembranças. eu queria poder amar novamente, mas você tirou a minha mais pura inocência.
meu bem, você saiu da minha vida com a mesma rapidez que entrou, e tudo o que me deixou foi um coração transbordando em lágrimas, uma alma tão suja quanto os nossos pecados e um lugar apertado no fundo do poço do meu peito.

28 de janeiro de 2009

a minha insônia

um sobressalto. já não sentia o corpo inteiro, nem a alma. olhei-me no espelho. já não me reconhecia mais. estava totalmente perdida num abismo de agonia. quis me esconder dos olhares que vinham lá de fora, mas as paredes tinham buracos tão grandes quanto aqueles que você, com suas mãos famintas, cavou no meu coração agora esburacado.
o tempo. quis que o tempo passasse o mais rápido (im)possível, mas este parecia me desafiar para uma pausa. pra quê me preocupar? o amanhã sempre chega.
mas amanhã vai ser igual a hoje.



perversa distração

distração. eu quero uma distração que me faça esquecer da sua existência. ou, quem sabe, um processo rápido e indolor que me faça esquecer seu nome, que tantas vezes saiu da minha boca quase que como num sussurro; seu toque, tantas vezes atraído pela minha pele sempre arrepiada.
distração. eu quero, eu preciso de uma distração que me faça, ao menos, tentar viver ao lado da sua ausência. mas você é como uma onda que vai e sempre volta pras areias virgens da minha praia.
eu quero me esquecer dessa luz tão verde, viva e intensa que saía dos seus olhos e, inevitavelmente, cruzava direta ou indiretamente com os meus.
ah, quantas vezes fitar esses teus olhos foi a minha única distração, perversa distração...

27 de janeiro de 2009

acordei. não faria diferença, pois com os olhos ainda fechados, eu podia sentir a tua presença naquela sala vazia de sentimentos e de esperanças. ah, eu não queria mesmo me levantar daquele móvel velho e maciço, tão maciço quanto o nosso amor foi por um curto espaço de tempo, mas o vento que entrava violentamente pela janela já aberta me obrigou a fazê-lo. botei os meus pés no chão. Não havia chão.

26 de janeiro de 2009

aos pedaços

são essas nossas mãos que não se tocam mais. é essa tua voz que soava como música e as notas das tuas palavras que ainda pairam na minha cabeça, como fantasmas que se esqueceram de fechar a porta ao sair. é esse teu cheiro que ficou grudado em mim e não sai mais das minhas roupas.
o teu amor era bastante. tão quente que derretia os meus discos de 1978. os nossos segredos já foram intimamente revelados, todos, e agora eles são como facas de dois gumes entre o meu e o teu peito. eu não sou Drummond, mas tem uma pedra no meio do meu caminho, do nosso caminho.
agora, meu bem, o meu coração foi servido aos frangalhos, e o meu amor, aos pedaços.

25 de janeiro de 2009

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uma multidão ao meu redor e ainda assim sozinha. eles divagam sobre a vida como se nada fosse e as suas vozes se misturam àquelas que, sorrateiramente, habitam a minha mente. não, você não está lá fora, nem aqui dentro. e essa minha solidão nesse misto de vozes é somente justificada pela ausência da sua.
agora me deixa sofrer sob as suas lembranças, breves lembranças. me deixa chorar até berrar por um motivo que me faça sorrir novamente. eu quero sentir o rosto ainda molhado quando o sol secar as minhas lágrimas.

24 de janeiro de 2009

enquanto houver poesia...

Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
Preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.

Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel
Quando o poema me anoitece.

A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê
Eu escrevo apenas.
Tem que ter porquê?

Leminski

das perfeições

tudo parece perfeito. exceto o fato de que meu amor por ele é maior do que suas próprias perfeições.

Joy Division - Love Will Tear Us Apart